B e G AS duas faces do Amor

             Pequena parte  ...


 Capítulo 1

Não pense que é fácil ficar dividido entre duas pessoas que você ama e viver um verdadeiro triangulo amoroso. O que eu passei é o tipo de coisa que só acontece em novela ou em série de TV. Mas acredite, também aconteceu comigo, e eu vou lhes contar.
         Com os meus dezoito anos na flor da idade; bonito, forte, com 1,80m de altura, olhos cor de mel e cabelos cortados no estilo moicano com mechas loiras, tudo combinando com meu rosto feito a navalha pelas mãos de Deus. Nunca quis saber de coisa séria, essa história de namorar sério e nunca passou pela minha mente se casar. Naquele momento eu só queria curtir a minha juventude. Eu era bonito, tinha minha casa própria e um ótimo emprego. Trabalhava como gerente geral de uma grande marca de roupas chamada LF (Life). Sem falar que eu era o solteiro mais cobiçado nas baladas, tinha qualquer garota que eu quisesse. Só que tudo isso estava prestes a mudar, e eu não sabia.
         Era uma sexta-feira à tarde, eu estava no trabalho quando meu amigo Jeferson me ligou.
         – André, quando sair do trabalho passa aqui na Quinta da Boa Vista. Preciso falar com você.
         – Tá, eu já estou terminando aqui – Olhei para o meu relógio de pulso. – Quando eu sair eu passa aí.
         – Tudo bem, eu vou esperar – respondeu ele. Ouvi vozes do outro lado da linha, havia mais alguém com ele.
         – Quem mais está aí?
         – Fabíola, Gisele e Kate. Por quê?
         – Por nada, não – Suspirei. – Vou terminar o trabalho aqui. Falo com você depois.
         – Valeu cara, tchau.
         Como muitas pessoas no mundo, eu também tinha amigos diferentes. A maioria deles era homossexual. No meio de todas as pessoas com quem eu andava somente Gisele e eu era heterossexual. Mesmo assim de vez em quando íamos a lugares GLSs, como o Orkontro que funcionava de sexta a quinta-feira na Quinta da Boa Vista. O Orkontro era a chamada ‘Reunião’ onde os Gays, Lésbicas e Simpatizantes (GLS) se encontravam para conversar, beber, fumar e o céu é o limite. Eu só conhecia mais o lugar porque meus amigos não paravam de falar de lá, na verdade eu só fui lá uma vez. Estava caindo um temporal, do tipo que ninguém está preparado e se esquece de carregar um guarda-chuva. Meus amigos estavam lá na Quinta e assim que caiu o temporal eles me ligaram desesperados e pediram que eu fosse até lá de carro buscá-los. Nessa época eu ainda morava com a minha mãe. Foi antes de eu vender o meu carro e comprar uma casa em São Cristovão na Rua São Januario.
         Naquele dia quando meu amigo Jeferson me ligou e me pediu para ir até lá, eu não sabia bem se queria ir, mas sentia que se eu fosse lá eu iria gostar. Afinal, só fui lá uma única vez e estava chovendo. Meu chefe tinha me liberado mais cedo por volta das 4h30min. Como eu era gerente geral, trabalhava em várias lojas. Naquele dia estava na Tijuca e tive que pegar um táxi até São Cristovão. Pedi para o motorista me deixar dentro da Quinta, caso meus amigos quisessem uma carona.
         O Orkontro acontecia na rua onde se marchava. E hoje estava particularmente cheio de gente. Então o taxista estava com dificuldade de dirigir até lá. Mesmo indo de vagar não conseguia ver os meus amigos, pois a Quinta estava muito cheia. Olhava de um lado da janela do carro e do outro. Até que finalmente eu vi a Gisele, impossível não reconhecer aquele seu rosto arredondado de Hello Kitty.
         Pedi ao motorista que parasse e gritei Gisele pela janela do carro.
         – Geeh!
         Na mesma hora ela e os outros se viraram para mim. Jeferson foi o primeiro a chegar perto carro.
         – André Luiz, você chegou! – exclamou ele sorrindo.
         Jeferson Moura era a cópia perfeita do ator Cauã Reymond. Já perdi a conta de quantas vezes já o confundiram com o cara. Ele já esteve em várias casas de show de graça só porque se parecia muito com ele e foi confundido. Uma vez quando fomos ao shopping da Gávea, por coincidência encontramos o próprio Cauã. Quando nos viu ele pensou que estivesse de frente para um espelho. Nunca vou me esquecer desse dia, foi muito engraçado.